Dr. Gymbro
A sunlit, minimalist kitchen counter in a modern home, photographed from a slightly elevated three-quarter angle with soft natural morning light spilling in from a window on the left. In the center sits a matte white ceramic mug of black coffee with a thin curl of steam, beside a small glass jar of deep magenta beetroot powder with a wooden scoop resting on the lid. A scattering of fine crimson powder dusts the pale oak surface in an artful, casual swirl. Nearby, a halved raw beetroot reveals vivid concentric rings of purple and pink, next to a few roasted coffee beans and a neatly folded charcoal gym towel. In the soft-focus background, a pair of clean white running shoes and a stainless steel water bottle sit on a floating shelf, hinting at a pre-workout routine. A single sprig of green beet leaves adds a fresh accent.

The color palette is warm and editorial: creamy neutrals, espresso browns, and rich beet magenta, with gentle highlights and long soft shadows. The composition has generous negative space on the right side for headline text, shallow depth of field, and a crisp, tactile texture on the ceramic, powder, and wood grain. The mood is calm, health-conscious, and contemporary, like a lifestyle feature in a premium wellness magazine or a trendy nutrition journal. Clean, balanced, natural, with subtle film-like grain and a slightly muted, high-end finish.
Science & Research

Cafeína de Pré‑Treino Rigidifica Artérias; Pó de Beterraba Compensa

Dr. Gymbro · · 4 min read

Se a sua rotina de pré‑treino inclui uma boa dose de cafeína, um novo estudo cruzado indica que as suas artérias podem ficar mais rígidas, mesmo que a pressão arterial não mude. O mesmo trabalho também descobriu que um pó de beterraba rico em nitrato, tomado junto com a cafeína, trouxe esses índices de volta ao nível do placebo.

O artigo, publicado na Food & Function em 2026 por McLellan e colaboradores, é pequeno e de curto prazo, mas oferece uma visão interessante de como dois dos auxiliares de performance mais populares interagem no sistema cardiovascular.

O que os pesquisadores fizeram

Vinte e quatro adultos saudáveis (17 homens, idade média de 24 anos) completaram quatro testes em um desenho randomizado, duplo‑cego, controlado por placebo e em cruzamento. Cada participante experimentou todas as condições, o que torna as comparações mais limpas do que em um estudo que divide as pessoas em grupos.

As quatro condições foram:

  • PL: pó de beterraba com baixo teor de nitrato (92 mg) sem cafeína;
  • CAF: pó de beterraba com baixo teor de nitrato + 6 mg/kg de cafeína;
  • BR: pó de beterraba rico em nitrato (400 mg) sem cafeína;
  • BR‑CAF: pó de beterraba rico em nitrato + 6 mg/kg de cafeína.

Para uma pessoa de 80 kg, 6 mg/kg corresponde a aproximadamente 480 mg de cafeína – valor no extremo superior do que muitos suplementos pré‑treino fornecem e acima do que a maioria das pessoas obtém de um único café. Os pesquisadores mediram a pressão arterial braquial e central, bem como a rigidez arterial, antes e 2,5 h após a suplementação. A função endotelial macrovascular foi avaliada em seguida, por meio da dilatação mediada por fluxo (FMD).

Resultado principal: a cafeína aumentou os marcadores de rigidez

A cafeína isolada elevou duas medidas de rigidez arterial. A pressão de onda de aumento subiu cerca de 3 mmHg, contra ~1 mmHg no placebo. O índice de aumento (augmentation index) cresceu aproximadamente 10 %, contra ~4 % no placebo e ~1 % com a beterraba rica em nitrato só. As diferenças foram estatisticamente significativas (p entre 0,001 e 0,007).

Pressão de onda de aumento e índice de aumento refletem quanto das ondas de pressão que retornam das periferias se somam à pressão que o coração tem de vencer. Artérias mais rígidas devolvem essas ondas mais cedo, aumentando a carga sobre o coração. Valores mais altos são, em geral, considerados desfavoráveis para a saúde cardiovascular.

A reviravolta: o nitrato anulou o efeito

Quando o pó de beterraba com 400 mg de nitrato foi ingerido junto com a cafeína, o aumento praticamente desapareceu. A pressão de onda de aumento subiu apenas ~1 mmHg e o índice de aumento ~3 %, valores estatisticamente indistinguíveis do placebo ou da beterraba sozinha (p = 0,505‑0,689).

Os exames de sangue confirmaram a via esperada do nitrato. O nitrito plasmático foi maior nas duas condições com beterraba do que no placebo ou na cafeína isolada. O nitrito é precursor do óxido nítrico, que ajuda os vasos a relaxarem. Curiosamente, o cGMP plasmático – molécula de sinalização a jusante – não variou entre as condições, de modo que o mecanismo exato ainda não está definido por este estudo.

O que não mudou

É importante não exagerar nas conclusões. Vários parâmetros permaneceram inalterados:

  • Pressão arterial braquial não foi significativamente afetada nem pela cafeína nem pela beterraba;
  • Pressão arterial central também permaneceu estável;
  • Dilatação mediada por fluxo, medida da função endotelial macrovascular, não mostrou diferenças.

Portanto, o destaque não é que a cafeína elevou a pressão arterial ou danificou o revestimento dos vasos. O efeito foi específico para marcadores de reflexão de ondas da rigidez arterial – um sinal mais sutil, cujo significado a longo prazo ainda é incerto a partir de uma única dose.

Lições práticas

  • Dose de nitrato: o pó de beterraba eficaz forneceu 400 mg de nitrato. Verifique os rótulos, pois os produtos de beterraba variam muito e muitos não declaram o teor de nitrato. Um produto sem essa informação é apenas um palpite.
  • Tempo de ingestão: cafeína e nitrato foram consumidos juntos, e as medições foram feitas 2,5 h depois. Isso coincide aproximadamente com a janela pré‑treino, mas o estudo não testou outros momentos nem a presença de exercício.
  • Quem pode se interessar: pessoas que costumam tomar doses altas de cafeína antes do treino, especialmente quem combina vários estimulantes, são o público‑alvo mais óbvio. Quem toma apenas uma xícara de café está longe da dose de 6 mg/kg usada aqui.
  • Abordagem sensata: se você já usa suplementos de beterraba ou nitrato para resistência, combiná‑los com a cafeína parece ser uma ideia de baixo risco com base nesses dados. Não é, porém, motivo para aumentar a dose de cafeína.

O que ainda não sabemos

As limitações são substanciais:

  • Uma dose, uma sessão. Nada aqui fala sobre uso diário por semanas ou anos.
  • Apenas adultos jovens e saudáveis. Idosos, hipertensos ou quem já tem doença vascular podem reagir de forma diferente.
  • Sem componente de exercício. O ensaio mediu respostas em repouso após a suplementação, não durante ou após o treino.
  • Amostra pequena. Vinte e quatro participantes, majoritariamente homens, limitam a generalização.
  • Mecanismo incerto. O cGMP inalterado deixa em aberto como o nitrato exerceu seu efeito.
  • Relevância clínica. Ainda não se sabe se um pico transitório no índice de aumento se traduz em risco significativo.

Conclusão

Este ensaio cruzado randomizado sugere que uma dose alta de cafeína pré‑treino pode elevar marcadores de rigidez arterial, e que 400 mg de nitrato dietético provenientes de pó de beterraba podem neutralizar esse aumento. Pressão arterial e função endotelial permaneceram inalterados, de modo que não há motivo para alarme imediato. Trata‑se de um achado inicial, mecanístico, que aponta para uma estratégia baseada em alimentos para mitigar um possível efeito colateral cardiovascular do uso intenso de cafeína. Estudos maiores e mais prolongados, envolvendo populações mais diversas e incluindo exercício, são necessários antes de se considerar a beterraba um escudo protetor.

Original study

Read the original research on pubmed.ncbi.nlm.nih.gov →

This article summarizes published research for general information. It is not medical advice.

DG

Written by

Dr. Gymbro

Dr. Gymbro writes for Dr. Gymbro: science-backed fitness, nutrition & performance.

Related Articles

A landscape editorial photograph with a modern, clean magazine feel, shot on a pale warm-gray concrete surface in soft natural window light from the left. In the foreground, two matte white ceramic espresso cups sit side by side. The left cup holds a small amount of dark espresso with golden crema. The right cup is filled twice as high. Beside them, two small stainless steel scoops hold fine coffee-colored powder, one half full and one heaped, suggesting a dose comparison without any text or labels. A pair of worn red leather boxing gloves rests slightly out of focus behind the cups, laces loosely draped, with a white hand wrap rolled neatly beside them. A minimalist digital kitchen scale in matte black sits at the edge of the frame, with a few roasted coffee beans scattered across the surface. In the soft-focus background, a boxing gym corner appears: a hanging heavy bag in muted charcoal, pale wood plank flooring, and a tall window with diffused morning light. The palette is warm cream, espresso brown, brick red, and soft slate gray, with gentle shadows and a shallow depth of field. The composition follows the rule of thirds, with the cups and scoops in the lower left third and open negative space on the right for headline overlay. The look is tactile and refined, like a high-end health and performance journal. It has natural grain, subtle contrast, and a calm, confident mood. There are no people, no text, no logos, and no futuristic elements.
nutrition

Dobrar a Dose de Cafeína Quase Não Ajudou os Boxeadores — Veja o Que Funcionou

BY DR. GYMBRO ·

Acha que dobrar a dose de pré‑treino significa dobrar o desempenho? Um novo ensaio cruzado com 15 boxeadores competitivos comparou 3 mg/kg e 6 mg/kg de cafeína, e a dose maior não foi consistentemente superior. Ambas as doses aumentaram a altura e a potência do salto aos 60 minutos, enquanto 6 mg/kg só se destacou em alguns resultados, como a potência da flexão balística e o torque do joelho. A seguir, a conversão de mg por kg para pesos corporais comuns, o timing suportado pelos dados e as ressalvas, incluindo o fato de que a própria pancada nunca foi testada.

A wide, editorial-style flat lay on a warm, matte cream stone surface, shot from slightly above in soft natural morning light. On the left, a ceramic espresso cup in muted terracotta holds dark coffee, with a few roasted coffee beans scattered beside it. In the center, a small wooden board holds three bright red chili peppers, one sliced open to show pale seeds, next to a small pile of coarse red pepper flakes. On the right, a pair of minimalist off-white running shoes with sage green accents rests at an angle, and a slim stopwatch with a clean white face lies in front of them. Three small matte white capsules sit in a neat row at the center of the composition, a quiet nod to the placebo and the active doses. Soft shadows fall to the lower right. A sprig of dried eucalyptus and a folded linen cloth in oatmeal tones add texture at the edges. The palette is warm and restrained: terracotta, chili red, cream, sage, and charcoal brown, with a gentle pop of red as the focal accent. The depth of field is shallow, so the foreground beans are slightly soft and the chilies and capsules stay crisp. The mood is clean, modern, and magazine-like, in the style of a contemporary health and science journal. There is no text, no people, and no logos, and plenty of negative space on the upper left and right edges leaves room for a headline overlay.
nutrition

Cafeína + Capsaicina superaram o placebo em corrida de 10 km; capsaicina sozinha não teve efeito

BY COACH RYAN ·

Um composto de pimenta associado à cafeína foi a única combinação que venceu o placebo em uma corrida de 10 km em um novo ensaio cruzado, enquanto a capsaicina isolada não trouxe benefício algum. Foi a cafeína que impulsionou o efeito estatístico, sem evidência de sinergia. A dose usada – 6 mg/kg – equivale a cerca de 450 mg para um corredor de 75 kg, o que é bastante. Insônia, ansiedade, dor de cabeça e taquicardia apareceram com mais frequência nas condições que continham cafeína. Veja o que o estudo com 20 corredores revelou e quem deve evitá‑lo.

A sunlit outdoor running track in late afternoon, shot from a low angle with shallow depth of field. In the foreground, a matte black bottle with a minimal off-white label sits on the edge of a warm terracotta-colored track lane, beside a folded white towel and a small glass of amber liquid catching golden light. Condensation beads on the bottle. A faint heat shimmer rises from the track surface and softens the background.

In the midground, slightly out of focus, a lean athlete in a sage-green tank top and charcoal shorts runs on a treadmill-like stretch of track, a thin sheen of sweat on their shoulders, their expression focused and calm. Their motion is gently blurred, suggesting endurance and rhythm. Long soft shadows stretch across the lane lines.

The background fades into hazy peach, apricot, and pale yellow tones, with the suggestion of tall trees and a distant stadium wall. Warm sun flare enters from the upper right, creating a subtle glow and a few soft light streaks across the frame.

Subtle editorial touches: a small notebook with a pencil and a stopwatch rest beside the bottle, hinting at data and timing without any text legible. The color palette is warm and muted, with terracotta, cream, sage, and charcoal accents, and a fine film-like grain. The composition leaves open negative space on the left third for a headline overlay. The overall mood is clean, modern, and health-journal inspired, natural and aspirational, with a calm scientific curiosity rather than hype.
nutrition

Bebidas de Cetona no Calor: Mais Resistência e Memória Mais Aguçada?

BY DR. GYMBRO ·

Bebidas de cetona costumam ser associadas a biohackers que queimam gordura, mas um novo estudo sob estresse térmico indica que elas podem ajudar a terminar sessões mais intensas. Em 17 homens treinados, a combinação de cetona monoéster e cafeína aumentou o tempo até a exaustão para 8,9 minutos contra 7,0 minutos com carboidrato e cafeína, após 90 minutos de corrida em esteira a 34 °C. A precisão da memória de trabalho no teste de 1‑back também melhorou, enquanto frequência cardíaca e temperatura central não apresentaram diferenças relevantes. Contudo, não houve benefício no teste de 2‑back, no tempo de reação ou na tarefa de acertar e evitar. O estudo foi pequeno, apenas com homens e de sessão única. Veja o que os dados realmente revelam e o que ainda não foi comprovado.

A wide editorial still life on a pale, warm-toned concrete surface in soft morning window light. In the center-left, a shallow matte ceramic bowl holds a small pile of bright red coffee cherries with glossy skins, a few sliced open to reveal pale mucilage and paired green-tan beans. Beside it, a small glass dish of fine, golden-brown powdered extract with a tiny wooden scoop resting on its edge. A sprig of coffee plant leaves, deep green and waxy, arcs across the foreground.

On the right side, slightly out of focus, a sleek road cyclist's handlebar and a matte black water bottle lean against a light plaster wall, suggesting athletic training without showing a person. A minimalist analog stopwatch with a clean white face and thin black hands sits in the mid-ground, angled toward the camera, its hands paused near the fifteen-minute mark. A folded linen cloth in oatmeal beige and a single small espresso cup with a thin crema ring add quiet texture.

The color palette is restrained and modern: cherry red, sage green, cream, soft terracotta, and charcoal accents. Light comes from the left, casting long, gentle shadows with a subtle warm glow and a hint of dust in the air. Shallow depth of field with crisp focus on the cherries and stopwatch, creamy bokeh in the background. Composition leaves open negative space in the upper right for a headline overlay. The overall feel is a clean, trendy health-and-science magazine cover: tactile, natural, minimal, and calm, shot in a 16:9 landscape frame with fine film-like grain and true-to-life tones.
nutrition

Extrato de Cereja de Café: 200 mg de cafeína aumentam o desempenho no ciclismo em 4,6 %

BY DR. GYMBRO ·

Uma dose baixa de 200 mg de cafeína proveniente de extrato de cereja de café ajudou ciclistas treinados a produzir 4,6 % a mais de trabalho em um teste de 15 minutos. No entanto, a ideia popular de que isso acelera a recarga de glicogênio não se confirmou. O estudo, randomizado, duplo‑cego e cruzado, contou com apenas 12 ciclistas e foi financiado pela indústria, sem grupo comparativo de cafeína pura. A seguir, veja o que os dados mostram, o que não mostram e quem pode se interessar em experimentar.

This page is available in