Dr. Gymbro
A cyclist in mid-ride, photographed from a low three-quarter side angle on a quiet country road at golden hour, wearing a matte navy jersey and a white helmet, with soft warm light catching the sweat on his forearms. His expression is calm and focused. The road bends gently through rolling green fields, and the background is softly blurred with creamy bokeh.

In the foreground on the left, a styled flat-lay-inspired still life sits on a weathered wooden surface and blends into the scene. It includes two clear water bottles with pale citrus-tinted liquid, a few torn energy gel packets in muted coral and sage, and a small pile of dried apricots and sliced banana. A handful of glossy orange slices adds a bright accent. The shallow depth of field keeps the cyclist sharp in the middle distance while the foreground items are gently softened.

The color palette is warm and editorial: soft peach, muted terracotta, sage green, cream, and deep navy. The light is natural and golden, with long, gentle shadows and a slight film-grain texture, like a high-end lifestyle or sports-science magazine spread. The composition follows the rule of thirds, with the cyclist on the right third and open negative space in the upper left, suitable for headline overlay.

The mood is energetic yet thoughtful, clean and modern, and the photograph feels authentic rather than staged. There are no logos, no readable text, and no futuristic or sci-fi elements. The overall look is crisp, airy, and refined, in the style of a contemporary health and performance journal cover.
Nutrition

100 g de Carboidratos por Hora Mantiveram Ciclistas Mais Rápidos — E o Glicogênio Não Foi o Motivo

Coach Ryan · · 5 min read

Mais combustível não significa só mais glicogênio armazenado

Todo mundo acha que ingerir mais energia na bike serve apenas para poupar o glicogênio muscular. Um novo ensaio randomizado mostra que essa explicação está incompleta. Ciclistas que consumiram 100 g de carboidrato por hora foram significativamente mais rápidos ao final de um teste brutal de quatro horas, em comparação com quem tomou 60 g/h. O nível de glicogênio muscular, porém, ficou praticamente igual nos dois grupos.

O estudo foi realizado pela University of Southern Denmark e publicado em Medicine & Science in Sports & Exercise (2026). Ele reforça a ideia de que um aporte elevado de carboidrato faz mais do que simplesmente “reabastecer o tanque”.

O que o estudo fez, de fato?

  • Desenho: Randomizado, duplo‑cego, cruzado (crossover).
  • Participantes: 15 ciclistas/triatletas treinados, todos do sexo masculino.
  • Pré‑protocolo: Dieta enriquecida em carboidrato por 24 h antes de cada teste.
  • Prova: 240 min de pedalada intermitente a 60 % da potência média do melhor teste de 15 min de cada atleta, com intervalos de alta intensidade.
  • Teste final: Contrarrelógio de 15 min (TT) ao término da prova, comparado com um TT de 15 min realizado em estado “fresh” (antes do esforço).
  • Variável de interesse: 60 g h⁻¹ (CHO60) vs. 100 g h⁻¹ (CHO100), fornecidos por bebidas e gel em taxa 1 : 0,8 de glicose : frutose.
  • Medidas: Biópsias do vasto lateral antes e depois da prova, oxidação de carboidrato corporal total e glicemia sanguínea.

O desenho cruzado fez com que cada atleta testasse ambas as condições, tornando a comparação mais limpa. Nem os atletas nem os investigadores sabiam qual condição estava sendo administrada em cada sessão.

Resultado de capa: menos queda de desempenho após 4 h

Os autores mediram a “durabilidade”, isto é, quanto o desempenho despenca depois de um esforço prolongado. Ambas as condições provocaram perda no TT de 15 min, mas a magnitude foi diferente:

  • CHO60: queda média de ‑9,3 % (± 2,0).
  • CHO100: queda média de ‑6,4 % (± 1,7).
  • Diferença: estatisticamente significativa (p = 0,025).

Em valores absolutos, a potência média no último teste foi 9 W maior com 100 g/h do que com 60 g/h (p = 0,028). Nove watts parecem pouco no papel, mas em uma prova longa podem ser a diferença entre “segurar a roda” ou ser deixado para trás.

Reviravolta: o glicogênio não explicou a diferença

A explicação óbvia seria que mais carboidrato ingerido teria poupado o glicogênio muscular. As biópsias mostraram o contrário: o glicogênio diminuiu de forma substancial nas duas condições e, ao final, os valores foram estatisticamente iguais:

  • CHO60: 192 ± 99 mmol·kg⁻¹ de peso seco.
  • CHO100: 209 ± 111 mmol·kg⁻¹ de peso seco.
  • p = 0,56

Como a variabilidade entre indivíduos foi grande, o resultado deve ser interpretado como “não houve diferença detectável”, e não como “não houve efeito”. Ainda assim, os autores concluem que 100 g/h melhorar a durabilidade sem alterar o uso de glicogênio muscular.

O que mudou: oxidação de carboidrato em todo o corpo

O que aumentou realmente foi a capacidade de manter a queima de carboidrato ao longo da prova:

  • CHO60: 2,6 ± 0,6 g·min⁻¹ no início, caindo para 1,9 ± 0,4 g·min⁻¹.
  • CHO100: 2,6 ± 0,4 g·min⁻¹ no início, caindo apenas para 2,3 ± 0,5 g·min⁻¹.
  • Interação condição × tempo: p = 0,047.

A glicemia permaneceu estável nas duas situações (≈ 5,6–5,7 mmol·L⁻¹ com CHO60 e 6,0–6,1 mmol·L⁻¹ com CHO100), portanto o grupo 60 g/h não sofreu hipoglicemia. A vantagem do 100 g/h veio de algum outro local, não da “salva‑glicose”.

Os dados sugerem que o excesso de carboidrato ingerido ficou disponível como combustível, sustentando a oxidação de carboidrato nas fases finais da prova. Qualquer explicação envolvendo cérebro, intestino ou outros tecidos ainda é mera especulação.

O que isso significa para você

Quem pode se beneficiar

  • Ciclistas e triatletas que realizam sessões ou provas de ≈ 3 h ou mais. O protocolo estudado foi de 4 h, e o benefício apareceu no final.
  • Atletas cujo desempenho nos últimos minutos importa: subida final, fuga ou sprint de chegada.
  • Praticantes já habituados a ingestões elevadas de carboidrato (treinamento do trato gastrointestinal).

Dose recomendada

  • 100 g de carboidrato por hora – alvo a ser testado.
  • Relação glicose : frutose de 1 : 0,8 – exatamente como no estudo. Verifique os rótulos de bebidas e géis; a maioria dos produtos esportivos já incorpora essa mistura.
  • Distribua a quantidade entre bebidas e géis, como fizeram os autores, ao invés de depender de uma única fonte.

Como aplicar

  • Administração contínua: o estudo entregou carboidrato de forma constante ao longo de cada hora. Prefira doses menores e regulares a grandes “bombas” espaçadas.
  • Pré‑evento: os atletas seguiram uma dieta rica em carboidrato nas 24 h anteriores. Não ignore a reposição pré‑prova.
  • Treine o estômago: subir de 60 g/h para 100 g/h de um dia para o outro costuma provocar desconforto. Aumente gradualmente ao longo de semanas de treinos longos, usando os mesmos produtos que pretende usar na corrida.
  • Se não tolerar: melhor aceitar uma dose mais baixa que cause náuseas do que forçar 100 g/h e perder o ritmo.

Quem deve evitar (por enquanto)

  • Atletas que fazem esforços bem abaixo de 2‑3 h – o estudo não testou essas durações.
  • Quem tem problemas gastrointestinais recorrentes com ingestões altas de carboidrato – procure orientação individualizada.
  • Pessoas com condições médicas que alterem o metabolismo de carboidrato – consulte médico ou nutricionista.

Limitações do estudo

  • Amostra pequena e homogênea: 15 homens treinados. Não se pode extrapolar diretamente para mulheres, atletas mais velhos, amadores ou praticantes de outras modalidades.
  • Comparação única: apenas 60 g/h vs. 100 g/h. Não sabemos se 80 g/h capturaria a maior parte do benefício.
  • Variabilidade do glicogênio: grande dispersão entre atletas, limitando a força da conclusão “não houve diferença”.

Mesmo com essas restrições, o estudo reforça um ponto prático: quando 60 g/h já é considerado o teto, subir para 100 g/h pode melhorar a performance de forma que o nível de glicogênio muscular não revela. Se você costuma competir por mais de três horas e tem o trato gastrointestinal treinado, vale a pena testar 100 g/h com a proporção 1 : 0,8 (glicose : frutose) em sessões de treino antes de aplicar na prova.

Original study

Read the original research on pubmed.ncbi.nlm.nih.gov →

This article summarizes published research for general information. It is not medical advice.

CR

Written by

Coach Ryan

Coach Ryan writes for Dr. Gymbro: science-backed fitness, nutrition & performance.

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